Revisitando clássicos: “Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci

Por Daniel Felipe

Após 4 anos de trevas – momento histórico em que os brasileiros ouviram de seu então Presidente da República asneiras violentas como “os índios estão cada vez mais humanos como a gente”, ver, rever e divulgar uma obra como Serras da Desordem (2006), dirigido por Andrea Tonacci (1944-2016), se torna uma urgência.

Muito mais do que dar respostas prontas a questões de primeira ordem, a jornada perambulante de fuga de Carapirú após o ataque de fazendeiros – ou o retrato do encontro entre dois mundos que se esbarram num mesmo território – torna a existência indígena um objeto estético capaz de evidenciar os dispositivos da própria realização cinematográfica, tornada linguagem-objeto (metalinguagem).

A realização de Tonacci vai de encontro à faceta ensaística do gênero documental, na medida em que as imagens transcendem a função referencial, ganhando camadas de complexidade na encenação de Carapirú no papel de si mesmo. Com menos de 20 anos de idade, não é exagero chamar tão cedo essa obra de “clássico”.

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O filme pode ser visto, na íntegra, no canal da Funai no YouTube. Confira: